Todo mundo acha que entendeu porque André Luíz era considerado um suicida e foi para o umbral no filme "Nosso Lar". Seus sentimentos de raiva, mágoa, rancor, inveja, etc., acabaram por destruí-lo. Mas não são só essas emoções que nos destroem, medo e culpa também. Acontece que do medo e da culpa sobrevivem quase todas as religiões, inclusive o Kardecismo. Num outro filme, também interessante, chamado "Antes de Partir", os dois personagens, que eram igualmente pacientes terminais de câncer, resolvem dar a volta ao mundo financiados pelo personagem de Jack Nicholson, que era milionário. Mas, na volta, só um deles morre. O mais certinho, o politicamente correto, que era o de Morgan Freeman. Por que? Será que Deus errou na escolha?
Quem faz a escolha é o próprio indivíduo.
Quem abre mão de sua vida, quem se violenta ou se deixa violentar, quem se omite na busca da felicidade, comete uma grande agressão à sua própria natureza.
O personagem de Morgan Freeman não conseguiu se libertar de seu comportamento de auto-flagelo, como se pagasse uma penitência, e terminou se auto-destruindo.
O personagem de Jack Nicholson não. Apesar de irascível, reformulou-se, superou suas limitações e construiu uma nova vida de prazer, não de obrigação, com sua filha e neto. Demonstrou que sentia prazer novamente em viver. Sua natureza lhe atendeu.
O personagem de Morgan Freeman deverá estar no Umbral, pois se auto-destruiu, suicidou-se.
O pior é que a sociedade é formada por suicidas silenciosos inconscientes que, além de raiva, mágoa, rancor, inveja, etc., também se destroem abrindo mão de sua vida, de sua esperança, de seus desejos. Aí a natureza também não perdoa. Vai todo mundo para o Umbral.