A árvore é pra te comprar,
O vinho é só cobrança.
Pego a garrafa e vem a lembrança
Do olhar e do riso de criança
Que renasce, cresce e me envolve,
Que assustada ainda tenta fugir,
Mas o destino implacável devolve,
E num encontro incansável revolve,
A poeira, a cegueira, a canseira,
Fazendo um anjo lindo, doce e leve
Ressurgir com a brancura/candura da neve
Com sabor de comida caseira,
Com humor, falando besteira,
No sexo descendo a ladeira,
Gritando, abraçando, beijando.
E a árvore é pra te comprar mesmo.
Pra te comprar mesmo um futuro,
Um futuro em que não corras a esmo,
Em que te libertes do peso
Da armadura que te puseram,
Das amarras que te impuseram,
Da revolta que te trouxeram,
Da grosseria que não te cabe,
Pois és um anjo que ainda não sabe
Que a dor, com amor se acaba,
Que nosso encontro o afeto embala,
Que estando juntos nada nos abala.
Uma guerreira e um guerreiro,
Solitários, solidários, ordinários, extraordinários,
Desafiando toda previsão,
Encarando qualquer confusão,
Chorando muito, em profusão,
Cantando nesse nosso sarau,
Rindo, unidos neste Natal.
Logo, logo, em lua de mel.
Pois acredito em Papai Noel.
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