terça-feira, 4 de outubro de 2011

Revira a Volta

Olho de cima
Olho de baixo
Olho de lado
E me sinto alado
Quando me vejo amado
Junto, com seu corpo atado.
A vida empurra
A vida pressiona
A vida ameaça
A vida atropela
Mas é sempre mais bela
Quando estamos na mesma tela.
Amo o novo
Amo o velho
Amo o antigo
Amo o recente
E como que de repente
A vida na nossa frente.
E num toque de mágica
Nossas almas se devoram
E se renovam
Como dois seres novos
Como dois novos povos
Que suas forças uniram
Que do trágico riram
Que na inércia agiram
Que viram
E reviram a volta
Pra dentro de nós
Sem nós
Nos corações.

sábado, 1 de outubro de 2011

Ponto de Mutação

Quando te li já sabia,
Sorrindo pra dentro, agradecia
Minha alma em ebulição
Diante de ti
Meu ponto de mutação.
Teu sorriso, teu jeito.
Penso, mas não sei direito
Acho que já estava escrito,
Ou avisado,
Que nada mais seria dito.
Então te olho,
Rio de ti,
Ris de mim,
E tão simples assim,
Mergulhamos nessa brincadeira,
Que já conheço de cadeira
Vai acabar em bebedeira.
E embriagados sóbrios
Pelo que poderemos,
Pelo que já podemos,
Pelo que já fazemos,
Fazendo doce, ainda,
Numa suave espera
De uma esfera em rotação.
Com a leveza, com a certeza
De nosso ponto de mutação.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Eu Sou Rio

Me espanto
E do espanto canto
Em qualquer canto
Porque do Leme ao Pontal
Não existe nem bem nem mal.
E em cada esquina
A mina, a menina
A mulher
Não uma qualquer
Tem um abraço, um amasso
Que quando desfaço
Tô pronto
Pro que der e vier.
E nas contra-adições
Contra-subtrações
Contra-divisões
Contra-multiplicações
Me vejo sorrindo
Mesmo com beijo partindo
E indo
Junto contigo
Por isso junto comigo
Pouco me importando
O apocalipse
O fim do universo
Mas apenas o verso
Que me lembra a luz
Que me lembra o sol
Que me lembra o balanço
Que sempre alcanço
Quando sou Rio
E aí sorrio
Dente com dente
Língua com língua
Nessa comemoração
Na mesma respiração
Aí sou Rio
Aí sorrio
Aí sou Rio
Aí sorrio.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Assumo o Consumo

A minha blusa
A minha calça
O meu iPhone
O meu iPad
O meu iPod
O quanto custa?
Vê se não pode!
Não tem problema o meu consumo
Não sou só eu que levo fumo.
Eu tô no shopping
Eu tô na night
Tô de tênis descolado
Tô atolado e tô sorrindo
Tô consumindo.
Não tem problema o meu consumo
Não sou só eu que levo fumo.
Reclamo muito
Da qualidade da estética
Da liberdade da genética
Da lentidão da cibernética
E a minha ética?
O quanto custa?
Vê se não pode!
Não tem problema o meu consumo
Não sou só eu que levo fumo.
Às vêzes caio da minha real
No olhar de uma mulher
Num sorriso de criança
No abraço de um amigo
Mas acordo, me ligo
E volto pro meu abrigo
Consumo desenfreado
Nem respeito, nem respeitado
Sem esperança de ser amado.
O quanto custa?
Vê se não pode!

domingo, 25 de setembro de 2011

Contra-Adição de Amores(2)

Por que, se todos sonham com uma grande e eterna paixão, quase ninguém consegue vivenciá-la?
São muitas as razões.
Uma, é que dá trabalho. É preciso investir e reinvestir energia na relação, energia essa desperdiçada em coisas sem importância para a felicidade como: status, poder, riqueza material, competição, auto-afirmação, etc..
Outra, é que é uma ameaça. As pessoas se sentem nuas, desprotegidas sem suas defesas, suas armaduras. Além do que o sofrimento é um território muito familiar, nada ameaçador. Incomoda, mas não ameaça. O que ameaça mesmo é o novo, a possibilidade da felicidade.
Uma outra também, é o medo. Medo da solidão e, principalmente, da não aceitação social. Todo mundo tem que ter seu par, senão tem algum defeito. Antes mal acompanhado do que só. Pior que o resultado é: mal acompanhado e ao mesmo tempo só.
Por que as pessoas se unem com outras com pouquíssimas afinidades e juram de pés juntos, que são seus verdadeiros amores?
É uma questão biológica.
O ser humano ainda é muito primitivo nas suas escolhas. Como animal escolhe o mais apto para perpetuação da espécie. Sendo assim fica, inconscientemente, com o mais forte, ou o mais bonito, o de mais status, ou riqueza, ou prestígio, ou poder, etc., acreditando realmente que a escolha foi consciente e que têm muita sintonia. Uma piada de mau gosto.
As mulheres confundem docilidade e delicadeza com fragilidade e fraqueza. Apesar de reconhecermos que muitos homens gentis são, na verdade, frágeis. Mas não são todos.
O homens confundem mulheres enérgicas e bem resolvidas com masculinizadas e autoritárias. Apesar de reconhecermos que muitas mulheres bem sucedidas perderam a meiguice. Mas não são todas.
Somos seres relacionais. É difícil ser feliz sozinho. Mas isso não justifica relacionamentos falidos, baseados no medo, na covardia, na conveniência e na culpa, como são a maioria.
Temos, urgentemente, pensando na nossa realização pessoal e até na perpetuação da espécie, de mudar;
o homem se tornar mais terno, compreensivo, parceiro, e mantendo a pegada, e a mulher ascendendo socialmente, sem subserviência, e sem perder a feminilidade e a doçura.
Um casal infeliz gera filhos infelizes que vão gerar outros casais infelizes. E a humanidade pede socorro!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Beleza do Simples

Uma mão apoiada no meu ombro
Não era pesada nem dolorida
Era um assombro
Numa caminhada divertida.
Não havia nem lua nem estrela
Chuviscava
Mas tinha um raio de luz
Que transbordava
Vinha de dentro pra fora
E de nossas almas não foi embora.
Foi uma felicidade
A descoberta
Que não existe maldade
Apenas fica coberta
Refletindo o que não lhe cabe
Espelhando o que não condiz
Com seu coração aprendiz.
E nessa linda caminhada reforcei
O que sempre busquei e encontrei
A doce beleza do simples.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Mulher-Cachorra

Como gosto de ti
Mulher-cachorra
Quando balança o pelo molhado
Me encharcando e rindo
Me seduzindo com seu bem-olhado
Quando, com sua lealdade
Protege, avançando contra quem
Não percebi a maldade
E com sua gentileza,
Sem interesse, sem preço,
Só apreço,
Que me apresso em preservar,
Insiste em se desnudar.
E com seu olhar,
Quase pedinte,
Humilde, afável, dócil,
A me embriagar,
Mas sem se violentar,
Já que até pra mim,
Sabe rosnar.
Mulher-cachorra,
Tão amiga, tão doce, tão decente,
Assim acaba me tornando gente.